“First Comes Love” – a batalha relógio biológico x vontade de ter filhos

Eu, realmente, não sei. Não adianta me forçar a barra, perguntar, lembrar que em poucos meses farei 43 anos e que já tirei miomas do útero…realmente não sei se toparia ter filhos “sozinha”, melhor, a chamada “produção independente”. Há um tempo vi o documentário “First comes Love”, disponível no Netflix, escrito, dirigido, produzido, editado, filmado e editado por Nina Davenport, pra ver se me vinha uma “luz” (com trocadilho) sobre o assunto.

A documentarista mostra a sua saga pessoal para ter a sua produção independente, fora do convencional, após os 40 anos de idade. Porém, válido dizer, com apoio de uma amiga querida (bata apoio mesmo, que esteve ao lado durante toda a gestação e até no parto), com um amigo gay bem de vida e saudável como doador do esperma, um namorado que tinha um carinho quase paterno pelo menino antes mesmo dele nascer e ela própria um enorme desapego por muitas coisas – materiais, especialmente.

O grande problema de Nina era com o pai e a perda da mãe no decorrer da história foi extremamente pesado, mas ela  teve  um apoio que, provavelmente, pouquíssimos teriam. De qualquer modo, não é leve, é bastante pesado mesmo. O documentário é muito verdadeiro, mostra como ela precisou abrir mão de tantas coisas, mas que, para ela, provavelmente fosse mesmo o mais importante – afinal, era o filho o que ela mais queria.

Não consegui ver o vídeo inteiro de uma só vez. Lembrei de momentos em que poderia ter acontecido do jeito que eu imaginava e não aconteceu. E me liguei que hoje nem imagino mais nada muito exato. Se acontecer, ótimo. Se não, ok. O que quero? Não sei. Melhor não querer nada e esperar que aconteça, aprendi isso com o tempo. Mas se um filho me acontecesse eu ficaria feliz e tentaria ser forte, como fui em outros momentos que achava que não conseguiria, mas fui.

First Comes Love, by Nina Davenport.

First Comes Love, by Nina Davenport.

Talvez não conviver com crianças não me desperte tanto isso – não tenho sobrinhos e quase não vejo os filhos de primos ou de amigos. Meu relógio biológico não vai demorar muito a parar por si só, mas há métodos pra prolongar essa história…e o que rolar, rolará, pronto. Já me aperreei mais com isso, há outras coisas para me aperrear. E sempre há adoção, afinal.

Aconselho ver o documentário. É emocionante, engraçado, tocante, sério, verdadeiro e ganhador de muitos prêmios (merecidos). Tem também livro e página do Facebook sobre o assunto. Pra ver tudo. acesse o site aqui.

Mick Jagger, 72, pai novamente e nenhuma surpresa

jagger melanie

Imagem: The Sun

Olha ele aí de novo! Mick Jagger será pai pela oitava vez, aos 72 anos. Muito bacana, mas não exatamente surpreendente, afinal, homens não têm exatamente um “prazo de validade” ter filhos assim como, infelizmente, as mulheres têm. Aliás, espero que se torne natural que a mulher tenha filhos mais tarde, de forma saudável e feliz – e não me venham com “mas ela vai estar velha demais pra aguentar o pique das crianças”, se isso não vale também para os homens. A mãe do novo Jagger é a bailarina Melanie Hamrick, de 29 anos.

Convenhamos, é surpresa para alguém que ele tenha uma vida sexual ativa? Não, né, minha gente? Aliás, vida sexual longa e próspera para todos, que um dia a gente também estará na casa dos 70 e espera-se que ela seja animada. E, pelo que dizem de Mick Jagger, ~animação~ é com ele mesmo. Então não duvidemos de outros Jaggerzinhos daqui a mais algum tempo. Bote fé no velhinho, ele sabe o que faz.

Jennifer Aniston e a eterna cobrança

aniston-jennifer 45 anos

Estava dando uma lida nessa matéria no site da Vanity Fair, sobre a atriz americana Jennifer Aniston, do fato de ela e o ex-marido Brad Pitt se desejarem “good wishes” (bons votos) em tudo que fazem e tal.. Mas o que me chamou atenção mesmo foi o lamento do começo da matéria, de que mesmo que ela ganhasse o Oscar e descobrisse a cura para várias doenças, entre outras coisas, os repórteres continuariam perguntando sobre duas coisas: o relacionamento com Brad Pitt e o fato de ela ainda não ter filhos.

A própria atriz se diz frustrada: “isso é continuamento dito sobre mim, que eu sou tão direcionada à minha carreira, tão focada em mim mesma que eu não quero ser mãe e quão egoísta é isso(…) Eu não gosto (da pressão) que as pessoas colocam sobre mim, sobre as mulheres- de que você teria falhado como fêmea se não tiver procriado”*.
Imagino que as cobranças sejam muitas mesmo, principalmente com gente dizendo “mas ela já tem 45 anos, tem que correr com isso de ter filhos!”. É possível que muita gente (especialmente mulheres, pela questão biológica mesmo), assim como a Jennifer Aniston, já tenham recebido as mesmas cobranças, porque parece que não basta ser  honesta, estar bem, curtir o seu momento…cobram que “é preciso” casar e ter filhos.
Veja só: tem quem não queira isso para si e está tudo bem. E tem quem queira, mas ainda não conseguiu, por qualquer motivo que seja – e, neste caso, já bastam as pressões internas.Se é assim para as “pessoas comuns”, imagina para ela que é famosa e está na mídia o tempo todo! Agora, veja só: ela é bem-sucedida, linda, dizem ser simpática, tem novos projetos…tão a cara da geração #Novos40, mas tem gente que só foca no que não está no “pacote”.
Sabe de uma coisa? Não é porque alguém me cobra que eu já deveria estar casada e ter um filho que vou sair por aí enloquecida, colocar um “procura-se marido” ou engravidando de um cara qualquer. Quando for o tempo, será. Se não acontecer, não acontecerá. E se isso me frustar muito, aprenderei a lidar, como aprendi tantas outras coisas ao longo da vida. Então é isso: Jen, te entendo, amiga. #tamojunta!

Status: “queria, não aconteceu, tudo bem”

Faz tempo que não coloco uma divagação minha aqui no blog. Mas esses dias me veio à mente um assunto que deve ter entrado na pauta das minhas conversas um sem número de vezes: casamento. Aliás, dois: casamento e filhos. Bem, fiz 40 anos e não aconteceu de casar nem de ter filhos.

Tudo bem, não é nada incomum, iguais a mim tem um monte de mulheres por aí. Há as que nunca quiseram nem uma coisa nem outra, as que só queriam casar, as que só queriam filhos, mas uma coisa me chama atenção: grande parte das mulheres que já conheci pessoalmente e estão na mesma situação que eu se sente na obrigação de dizer “estou ótima”, “maravilhosa”, “melhor assim”, “homens não prestam” (ok, levei em consideração o casamento hetero, apenas porque é minha realidade, mas, se não é a sua, que seja “não tem quem preste etc”, ok?). O “nunca quis” aparece muito mais do que imaginam.

Claro que conheço muita gente que nunca pensou mesmo nessa vida casada-filhos-etc e acho esta uma decisão normal – afinal, cada um deve ser responsável pelo seu próprio destino e isso de seguir regras tradicionais que a sociedade espera (espera mesmo?) já não cabe em nosso tempo. O que não compreendo é: se você já sabe que não tem essa obrigação, por que não pode dizer que queria, mas não aconteceu e ficar bem com isso? “Até queria estar casada e com filhos. Pensei que a esta altura do campeonato estaria. Não aconteceu. Mas ok, estou bem” foi minha resposta, algumas vezes.

Não entendo quem se espanta com isso. Não aconteceu, mas eu estou bem. Pode acontecer, ainda – ou não. E tudo bem, também. Acho negar um desejo algo tão imaturo! Sem obsessão, drama, tristeza, mas sem desprezo também ou um olhar de melhor/pior que outros apenas por isso. A idade começa a ensinar que nem todos os caminhos se mostram como a gente imaginava que se mostrariam, então aprende a caminhar bem nos caminhos que nos apareceram. É isso.

E vocês, o que acham a este respeito?