Status: “queria, não aconteceu, tudo bem”

Faz tempo que não coloco uma divagação minha aqui no blog. Mas esses dias me veio à mente um assunto que deve ter entrado na pauta das minhas conversas um sem número de vezes: casamento. Aliás, dois: casamento e filhos. Bem, fiz 40 anos e não aconteceu de casar nem de ter filhos.

Tudo bem, não é nada incomum, iguais a mim tem um monte de mulheres por aí. Há as que nunca quiseram nem uma coisa nem outra, as que só queriam casar, as que só queriam filhos, mas uma coisa me chama atenção: grande parte das mulheres que já conheci pessoalmente e estão na mesma situação que eu se sente na obrigação de dizer “estou ótima”, “maravilhosa”, “melhor assim”, “homens não prestam” (ok, levei em consideração o casamento hetero, apenas porque é minha realidade, mas, se não é a sua, que seja “não tem quem preste etc”, ok?). O “nunca quis” aparece muito mais do que imaginam.

Claro que conheço muita gente que nunca pensou mesmo nessa vida casada-filhos-etc e acho esta uma decisão normal – afinal, cada um deve ser responsável pelo seu próprio destino e isso de seguir regras tradicionais que a sociedade espera (espera mesmo?) já não cabe em nosso tempo. O que não compreendo é: se você já sabe que não tem essa obrigação, por que não pode dizer que queria, mas não aconteceu e ficar bem com isso? “Até queria estar casada e com filhos. Pensei que a esta altura do campeonato estaria. Não aconteceu. Mas ok, estou bem” foi minha resposta, algumas vezes.

Não entendo quem se espanta com isso. Não aconteceu, mas eu estou bem. Pode acontecer, ainda – ou não. E tudo bem, também. Acho negar um desejo algo tão imaturo! Sem obsessão, drama, tristeza, mas sem desprezo também ou um olhar de melhor/pior que outros apenas por isso. A idade começa a ensinar que nem todos os caminhos se mostram como a gente imaginava que se mostrariam, então aprende a caminhar bem nos caminhos que nos apareceram. É isso.

E vocês, o que acham a este respeito?

E se você pudesse mudar o seu passado?

a dona da história

Já pensou, poder voltar ao passado e poder mudar o rumo que a sua vida tomou? Imagina poder reescrever a sua história e, em vez de, por exemplo, ter escolhido a profissão que você tem hoje, escolher outra. Ou não ter casado. Ou ter ido atrás da “pessoa da sua vida” e ter casado. É disso que trata a peça “A Dona da História”, que fui ver na última quinta-feira no teatro Apolo, ali no Recife Antigo. O espetáculo está em cartaz com Lívia Falcão e Olga Ferrário – mãe e filha, interpretando a mesma personagem aos 20 e aos 50 anos, que encontra consigo mesma e pode fazer essas alterações no passado (aos 20), que refletirão no futuro (aos 50).  A peça é de autoria do pernambucano João Falcão e já virou filme, em 2004, quando a personagem do enredo foi vivida por Marieta Severo e Débora Falabella.

A personagem – só são elas duas no palco – começa a elaborar outras alternativas de vida. Por exemplo “e se eu não tivesse ido ao baile onde Luís Claudio me pediu em casamento, mas eu acabasse o namoro com ele naquele dia?”, “e se em vez de casar e ter uma vida certinha eu tivesse ido ser atriz de teatro?” e por aí vai. Isso tudo é feito com muito humor.

Acho que todo mundo faz esse “exercício”, de pelo menos imaginar o que poderia ter acontecido se você tivesse escolhido outros caminhos. Na idade da gente, então, é que faz mesmo! A peça serve, inclusive, de ponto de partida pra pensar nisso – aliás, me reconheci em algumas situações da personagem. Se isso não serve pra mudar o passado, talvez sirva pra começar algo diferente hoje e, assim, mudar alguma coisa para o futuro. Bem, acabei de entrar nesses #novosquarenta, talvez sirva para que eu tenha #novoscinquenta.

Quanto à peça, ela está em cartaz de quinta a domingo, às 20h, no Teatro Apolo, até o dia 30 de março. O ingresso custa 20 reais (10 reais, meia entrada), sendo que na quinta-feira custa oito reais para todo mundo. Aconselho: garantia de boas gargalhadas e uma boa reflexão.

Mas, me diz aí: se você pudesse revisitar o seu passado, o que você faria diferente?

Os “novos 40”

bolo de aniversário 40 anos

Eis que chegou o dia! Entrei na casa dos “enta”. Você sabe: quarENTA, cinquENTA, sessENTA…por aí vai. Eu poderia esconder a idade, dizer que tenho vários anos a menos – pode ter certeza que acreditariam. Aliás, ninguém acredita é quando digo que tenho o quanto tenho. Nada disso muda um fato: eu realmente estou fazendo 40 anos. Fico feliz com isso.

Confesso: não estou curtindo muito a ideia. Sei que é bobagem, mas é estranho. Porém, posso dizer que isso já é melhor do que há alguns meses, quando eu estava odiando, me achando velha, ultrapassada. Nada que boas companhias não tenham me ajudado a superar.

Houve quem dissesse “não se preocupa, os 40 são os novos 30 anos”. Entendo o que quer dizer: o conceito do que são as “pessoas de quarenta anos”, hoje, é bem diferente do que se pensava há pouco mais de uma década. Mas isso não são “40 são os novos 30”, isso significa que temos “novos 40”, simplesmente. Ou seja: muita coisa que até há algum tempo se achava que era “só para pessoas mais jovens”, que pessoas de 40 anos já não pudessem/devessem fazer, que estaria tarde demais, hoje está sendo feita por esses mesmos quarentões. Essas pessoas estão, por exemplo, começando a fazer faculdade, sonhando em conhecer alguém bacana e casar, fazendo a primeira tatuagem, começando a aprender um instrumento musical, indo mochilar em algum lugar, embarcando em um intercâmbio, estão com o coração na mão por conhecer alguém novo e até tendo filhos. Sim, porque hoje os tratamentos médicos permitem que mulheres acima (algumas um bocado acima) dos 40 anos tenham filhos de modo seguro.

Então começo esse blog como uma terapia para mim, para que toda vez que eu pense que passei da idade pra alguma coisa, eu mesma me faça lembrar que esse conceito está ultrapassado, que há muito pela frente. Quero fazer isso com exemplos, mostrando histórias bacanas e pessoas lindas. Claro que também quero mostrar produtos e serviços que achar interessantes e tudo mais que combinar com este blog.

Bem, é isso. Em vez de esconder a idade, como muitas pessoas fazem, resolvi alardear. Acho que é melhor fazer algo útil e bacana disso e, ainda, rir da cara desses quarenta anos. É um novo começo, uma nova ideia, um novo conceito. São novos 40.

Vamos lá!

P.S. Não, ainda não estou curtindo a ideia. Estou apenas ‘ok’, com isso. Mas eu vou aprender a curtir. Ah, vou!

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