Sexo depois dos 40: o que muda?

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Então hoje é o Dia do Sexo! Já sabe, né, brincadeira com a data 6/9 e a posição 69 e tal. Aproveitei a data pra entrevistar duas profissionais que podem nos ajudar a responder algumas perguntas resumidas em: “o que muda no sexo depois que a gente passa dos 40 anos de idade?”, “muda igual pra todo mundo?” e, ainda, “o que podemos fazer para a vida sexual melhorar?”, entre outras. São elas: a ginecologista e obstetra Ana Paula Mondragon e a sexóloga e psicanalista Lelah Monteiro. Colocarei aqui no post por assunto.

DIMINUIÇÃO DA LIBIDO

Alguns fatores podem alterar a nossa libido, com o passar do tempo, especialmente em mulheres, como a queda dos níveis hormonais, com a chegada da menopausa. “A menopausa é o início de um processo gradativo da diminuição dos hormônios femininos, o estrogênio e a progesterona. Todas as mulheres passarão pela menopausa aproximadamente entre os 45-55 anos e este período poderá estar acompanhado de calores pelo corpo, suores noturnos, redução da libido, alterações de humor, queda de cabelo, redução da lubrificação vaginal, ganho de peso entre outros fatores. Isso acontece com 20% a 40% das mulheres”, explica a ginecologista Ana Paula Mondragon, que acrescenta que nem todas as mulheres passarão por todos esses sintomas.

Também é importante estar alerta a outra questão: “há um outro fator que pode contribuir (para a diminuição da libido): nessa faixa etária, as pessoas que estão juntas há muito tempo podem estar vivendo um relacionamento desgastado. Não há libido que sobreviva à rotina e à pasmaceira. Por isso, é importante estar atento a esses dois aspectos quando se fala em diminuição da libido”, lembra a sexóloga Lelah Monteiro.

OS HORMÔNIOS E A MENTE

Uma questão também levantada por mulheres com mais idade é a redução da lubrificação vaginal. “Isso e a diminuição da libido estão mais presentes nos atendimentos até mais do que a questão do orgasmo”, conta Lelah Monteiro. “A redução do nível hormonal traz implicações físicas que afetam diretamente a relação sexual visto que os tecidos vaginais se tornam mais finos e que ocorre uma diminuição da elasticidade (fenômeno chamado de atrofia)  e redução da lubrificação natural da vagina, acarretando assim relações sexuais mais dolorosas e isso costumeiramente faz com que a paciente passe a evitá-las”, diz Ana Paula Mondragon. Mas outro fator pode ser tão forte quanto o hormonal: o que se passa na mente, como lembra Lelah: “A lubrificação diminui tanto pela queda dos hormônios, quanto pela diminuição do desejo. Ou seja, é um sintoma real, que pode ter origens físicas e emocionais.

Quando se fala em sexualidade, temos sempre que analisar esses dois aspectos – e o fato de ser emocional não que dizer que não seja real. É, e muito. Até porque os hormônios afetam imensamente nossas emoções. Se eu não me sinto “tão desejada” pelo meu parceiro, minha lubrificação diminui. Com a lubrificação reduzida, a relação deixa de ser tão prazerosa. Não sendo prazerosa, diminui o desejo. E assim cria-se um círculo vicioso”.

DESACELERAR O RITMO? NÃO PRECISA!

Então é isso? Com o passar do tempo terei que me conformar com o fato de que haverá cada vez menos sexo? Muita calma nessa hora, não precisa ser assim. “Essa história de “reduzir o ritmo” depois de uma certa idade é coisa de nossas vovós! As pessoas mais velhas, hoje, querem muito mais fazer sexo, principalmente se elas estão “bem resolvidas”. Nessa faixa etária muitas pessoas – mais as mulheres do que os homens – decidem terminar relacionamentos desgastados e viver uma grande paixão, por exemplo. Para muitas, é o momento da grande virada, de optar por viver plenamente sua sexualidade. Reforço, porém: e preciso estar “com a cabeça boa” – muitas pessoas sentem esse “chamado”, mas por falta de estrutura emocional não conseguem se libertar. Boa parte dos pacientes que atendo em meu consultório estão justamente tentando equalizar esse desejo de viver mais plenamente com as barreiras mentais que elas mesmas se impõem”, diz a sexóloga. “Todas as mudanças que acompanham a menopausa são naturais e representam apenas uma nova fase na vida do casal, o que exige pequenas adaptações”, orienta a ginecologista.

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MAS, O QUE PODE SER FEITO PARA QUE TUDO FIQUE MELHOR?

“Atualmente, existem muitos tratamentos para os sintomas da menopausa, porém estes devem ser individualizados e podem começar antes dela ocorrer, mas nem sempre é recomendado ou necessário. É de grande importância o acompanhamento ginecológico especializado,  assim como a assessoria de outros profissionais de outras áreas em decorrência dos sintomas apresentados como exemplo cardiologista, endocrinologista , psicólogo, etc. O ponto principal a ser observado no tratamento é a melhorar a qualidade de vida e o bem-estar. Os tratamentos devem ser discutidos entre o médico e a paciente, mas existem alternativas medicamentosas hormonais, não hormonais e outras práticas terapêuticas”, diz a ginecologista, que indica práticas como:

  • Alimentação saudável, incorporando alimentos como peixe, legumes, verduras, nozes, laticínios e produtos com soja na dieta diária.
  • Exercícios e técnicas  de relaxamento diária (ex: ioga, pilates, meditação)
  • Praticar exercícios físicos de forma regular
  • Controle do peso
  • Exercícios de Kegel para fortalecer os músculos pélvicos/vagina.
  • Uso de cremes lubrificantes a base de água disponíveis no mercado facilitando a penetração durante o coito.
  • Descubra novas zonas erógenas além da vagina, conheça seu corpo.
  • Experimente novas experiências a dois : brinquedos eróticos, fantasias , roupas sensuais, viagens …
  • Converse abertamente com seu parceiro
  • A terapia de reposição hormonal, a qual pode ser feita a nível sistêmico ou apenas a nível local (vaginal).
  • Converse com o seu médico sobre esta e outras dúvidas.

Um ponto extremamente importante é cuidar da mente, que muitas vezes é a grande responsável por tudo que está acontecendo no corpo. “Aconselho fazer terapia individual ou terapia de casal, que ajudam demais no enfrentamento das inseguranças que acabam surgindo com a chegada dos “enta”, fala a sexóloga.

POR QUE SEXO É IMPORTANTE?

A sexóloga Lelah Monteiro enumera alguns benefícios:

  • Reduz o cortisol, que é o hormônio do estresse e a ansiedade;
  • Libera a ocitocina e a dopamina, que melhoram o humor e a sensação de felicidade;
  • Libera a endorfina, que relaxa e alivia as dores dos músculos tensionados pela pressão que vivemos no dia a dia (o orgasmo é uma espécie de “analgésico”); e
  • Libera a prolactina, que melhora o sono.

“Além disso: faz bem para o coração; fortalece o sistema imunológico; diminui os riscos de câncer de próstata etc. Sem falar que é gostoso, e faz a autoestima, ir lá pra cima!”

Essas mudanças que ocorrem no corpo com o passar do tempo não acontecem só com as mulheres, homens também podem sentir algumas, com a diminuição da potência pela questão hormonal, pela andropausa e pela questão relacional.

ENFIM

Ninguém é obrigado a nada. Quer diminuir o ritmo? Diminua. Não era isso que queria, mas está acontecendo? Vamos tratar isso, então! Acima de tudo, lembre: para que o corpo funcione bem, inclusive no sexo, a mente tem que estar em dia. Então se ame, se toque, se conheça, converse com o parceiro/parceira – e procure ajuda, se for necessário. E, se estiver afim, vá comemorar esse dia 6/9.

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